São Joaquim da Barra (SP), dezembro de 2020 - A Academia Livre de Música e Artes - Alma inovou o planejamento pedagógico a partir das medidas de distanciamento social e protocolos de prevenção em decorrência da pandemia do novo coronavírus (Covid – 19). Foi assim, que a partir do dia 20 de março, após o decreto do governo do Estado de São Paulo, iniciou-se uma força tarefa com participação da diretoria, coordenação e corpo docente com foco no novo formato de ensino que seria estabelecido utilizando a tecnologia como principal ferramenta de aprendizagem.
A Alma conta com 400 alunos em sua totalidade, somando o núcleo de Ribeirão Preto e o núcleo 2, que integram alunos das cidades de São Joaquim da Barra e Guará, todos matriculados regularmente e de forma gratuita. Todas as atividades pedagógicas foram reformuladas para serem adaptadas a esta nova linguagem. Especificamente, no planejamento educacional para as aulas do núcleo 2, neste segundo semestre de 2020, os professores agregaram, além das aulas gravadas, utilização de materiais adaptados para a construção de instrumentos.
Para Ladson Bruno Mendes, coordenador pedagógico da Alma, incluir esses materiais para a realização de interações práticas com os alunos é fundamental para o fortalecimento do vínculo e desenvolvimento do processo criativo. “Nunca poderíamos imaginar que a construção de um violino de papelão à distância poderia deixar os alunos mais motivados e até mais interessados em continuar aprendendo sobre música. Esse método comprovou que é possível sim inovar a didática e alcançar excelentes resultados”.
O núcleo de São Joaquim da Barra e Guará oferece cursos gratuitos de canto coral, violino, violoncelo, flauta, clarinete e percussão, são mais de 150 atendidas por ano, com idade de 6 a 12 anos. Este núcleo é uma parceria entre a academia e Usina Alta Mogiana que, por meio do projeto “Educando para o Futuro”, atende aos alunos das escola Sylvio Torquato Junqueira e Professor Creso Antonio Filetti (São Joaquim da Barra) e Adelaide Garnica (Guará).
Segundo Vera Lúcia Martins Guedes - Gerente de Gestão de Pessoas na Usina Alta Mogiana, a pandemia apresentou uma nova realidade a todos, incentivando a população a experimentar novos modelos, no convívio social, nas atividades corriqueiras e, principalmente, na maneira de encarar os percalços da convivência com um inimigo invisível e perigoso, que é o Covid-19. “Especificamente na educação, as famílias estão aprendendo mais sobre autodisciplina, novos modelos de interação e a necessidade de seguir em frente”, explica.
Vera ainda enfatiza que o desenvolvimento de competências e habilidades transcendem, inequivocamente, os “muros” da organização e que a capacidade de adaptação, a vontade e o amor ao trabalho podem ser determinantes nestes períodos atípicos. “Quando falamos das atividades continuadas da Alma, percebemos a rapidez a adaptação a esse “novo normal”, o formato digital permite interações ainda não imaginadas, e as inovações, mesmo à distância, resultam numa rica produção de conteúdo”, conclui.
Os professores do núcleo 2 estão alinhados para que essa metodologia adaptada realmente seja funcional para os alunos. De acordo com Lucas Oliveira professor de violino coletivo na cidade de Guará, essa experiência é desafiadora, mas o resultado é positivo, principalmente quando é comprovado o interesse dos alunos na construção desses instrumentos. “As aulas são elaboradas com antecedência, e nas gravações conseguimos ver os alunos com seus instrumentos finalizados, o que nos deixa muito orgulhosos com o esforço de todos”.
Paula Naime é professora de Flauta, também em Guará, e utilizou garrafas plásticas, lápis, papéis e canetas durante o processo de aulas à distância direcionadas ao núcleo 2. “Se as aulas fossem presenciais a flauta transversal seria utilizada, mas, em casa, usamos os recursos e materiais dos próprios alunos para conseguirmos nos aproximar dos sons dos instrumentos. Nas aulas de percussão, por exemplo, os alunos construíram um “Ganzá”, feito com garrafinha plástica e arroz (ou outro material). Ricardo Bovo é professor de percussão no núcleo de Guará, e contou como essas construções ensinam “brincando”. “Neste instrumento improvisado aprendemos juntos sobre a execução de ritmos, podendo ser aplicado em turmas iniciantes, para o aluno entender os movimentos mais básicos, ou ainda em turmas intermediárias ou avançadas, para trabalhar uma rítmica mais complexa”, pontuou.
A Academia Livre de Música e Artes confirma seu compromisso com a arte, e se mostra confiante em relação à evolução da educação, do ensino e do aprendizado, através das mudanças e adaptações necessárias ao momento atual. A Alma é uma associação privada sem fins lucrativos, que trabalha com o aperfeiçoamento de jovens talentos, principalmente na música, cumprindo seu propósito de oferecer excelência artística a alunos de Ribeirão Preto e região. Seus cursos são gratuitos e contam com o apoio de empresas que utilizam leis de incentivo para patrocinarem os projetos.
Esta atividade integra o Projeto Alma - núcleo 2 - ano 4, aprovado no Pronac - Programa Nacional de Apoio à Cultura, do Governo Federal, via Ministério do Turismo - Secretaria Especial da Cultura, com patrocínio da Usina Alta Mogiana S/A.